Jimmy Floyd Hasselbaink concedeu uma extensa entrevista à edição desta segunda-feira do jornal britânico Daily Mail, na qual não poupou nas críticas dirigidas à maneira como José Mourinho, treinador português que o dispensou do Chelsea, no verão de 2004, reagiu ao tão badalado ‘Caso Prestianni’.
“Se Mourinho consegue cometer aquele tipo de erro… Estou a dizer que foi um erro, mas não foi, na verdade, um erro. Se Mourinho consegue fazer aquilo, então, é a prova da necessidade de educação. Aquilo que aconteceu, ali, enraiveceu-me mesmo, mesmo, mesmo, especialmente, contra Mourinho, porque ele disse que o Vinícius não deveria ter festejado daquela maneira”, começou por afirmar.
“Todos nós conhecemos os momentos icónicos dos festejos de Mourinho. Em Old Trafford, contra o Manchester United, pelo FC Porto. Pelo Chelsea. Pelo Inter, em Camp Nou, apenas ali em pé, a provocar aqueles adeptos. Eu adorei, quando ele estava a expressar-se. O facto de ele ter aparecido e dito aquilo enraiveceu-me mesmo”, prosseguiu.
“Temos de retirar aquilo do desporto. Fora do desporto, o mais rapidamente possível”, completou o antigo internacional neerlandês, de 54 anos de idade, que, na carreira, somou, ainda, passagens por Telstar, AZ Alkmaar, SLTOVV, Campomaiorense, Boavista, Leeds United, Atlético de Madrid, Middlesbrough, Charlton Athletic e Cardiff City.
Afinal, o que disse José Mourinho?
Na mira de Jimmy Floyd Hasselbaink esteve a ‘explosiva’ conferência de imprensa que se seguiu à derrota sofrida pelo Benfica, no Estádio da Luz, ante o Real Madrid, por 0-1, no passado dia 17 de fevereiro, em partida a contar para a primeira mão dos playoffs de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Questionado quanto ao facto de Vinícius Júnior ter acusado Gianluca Prestianni de lhe ter chamado “mono” (“macaco”, em português), depois do golo que acabou por fazer a diferença, o treinador português atirou: “Falei com o Vini e ele disse-me uma coisa, falei com o Prestianni e ele disse outra coisa. Podia ser ‘vermelho’ e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse, e podia ser equilibrado e dizer que no mundo do futebol tento ser sempre mais equilibrado”.
“Não quero dizer que o Vinícius é um mentiroso e que o Prestianni é um miúdo maravilhoso. Não quero dizer isso. O Álvaro [Arbeloa] optou tomar um comportamento diferente, e eu não quero fazer isso. Eu disse ao Vinícius ‘Marcas um golo do outro mundo, por que celebras assim? Por que não celebras como celebrava Eusébio, Di Stéfano, Pelé… celebrar com a alegria de ter marcado um golo'”, referiu.
“Cinquenta e poucos minutos de um grande jogo. Estou muito orgulhoso pela forma como jogámos frente a uma equipa como o Real Madrid, que mostrou a sua qualidade, que tem grandes jogadores e que pode jogar com uma grande qualidade. Mas, infelizmente, depois o jogo acabou”, acrescentou.
A UEFA agiu de imediato, ordenando a abertura de uma investigação ao caso. Esta permanece em curso, mas a verdade é que o jogador dos encarnados viria mesmo a ser suspenso preventivamente, o que o impediu de participar no duelo da segunda mão, que culminou num novo desaire, desta feita, no Santiago Bernabéu, por 2-1.




